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Você acredita em amor a primeira vista? Pois é, eu não. Mas as vezes cometemos as maiores loucuras por alguém que nos interessa. Logo no primeiro encontro, sem a menor intenção já se cria a maior expectativa.
Entrei na loja dos correios, pois tinha que enviar uma carta para um amigo, que morava no interior e iria vir para cá no próximo mês. Comprei o selo, era uma imagem bonita, um pôr do sol visto através de uma árvore. Lembrei-me dos tempos em que eu era menino e vivia correndo pelas fazendas dos vizinhos, sempre sem se preocupar com nada e muito menos com os problemas da vida adulta... Bons tempos aqueles.
Fui até a mesinha, para passar cola nos meus lindos selos quando a vi. Morena, alta e linda. Passava uma tranqüilidade através do sorriso e mais tranqüilidade ainda no seu jeito simples de ser. Parei ao seu lado, senti cheiro doce do seu perfume e o brilho intenso dos negros cabelos. Mãos delicadas e olhos brilhantes. Negros e brilhantes.
Em fração de segundos notei coisas que nunca me chamaram atenção. Boca grande e levemente carnuda. Simplesmente enlouqueci. Perdi totalmente a noção do que estava fazendo. Esqueci do endereço. Dane-se meu amigo. Ela terminou de colar suas cartas, e estava partindo. Eu fiquei sem ação e não sabia o que dizer. Senti que estava perdendo a mulher da minha vida.
Mas Deus ou sabe-se lá quem estava do meu lado. A futura mãe dos meus filhos deixou cair uma carta e seguiu sem notar. Ai estava minha chance, minha única e possível chance de ser feliz. Peguei a carta e ia chamá-la, mas notei que nenhum som saiu da minha boca. Nada. Nem um misero suspiro. Anotei o endereço do remetente e fui em direção a ela. Encostei em seu braço e ela me olhou nos olhos. Meu deus...
Entreguei a carta, mas não falei nenhuma palavra. Virei as costas e sai. Fui para casa e tentei dormir. Bebi e consegui dormir.
Mandei inúmeras cartas para ela. A cada dez enviadas, três eram respondidas com vontade e uma só para me pedir para parar. Ela gostava de dormir tarde, gostava de ler e adorava ver o pôr do sol de cima do morro. Conversamos através das cartas por uns dois meses. Dias e horas que se arrastavam pelo relógio. Emagreci uns quilos, perdi uma serie de amigos e eventos interessantes.
Ela decidiu que iria me conhecer, após muita insistência minha. Estava animadíssimo, estava sem dormir a alguns dias. Marquei no café da esquina, cheguei uma hora antes. Só por precaução, para não me atrasar. Estava ficando neurótico.
Minha linda donzela chegou. Fui ao seu encontro. Estava com um lindo vestido floreado, que iluminava toda a sala. Radiava a felicidade daquela jovem moça. Parei na sua frente e fiquei inerte. Ela me disse algumas palavras que eu não entendi muito bem. Por incrível que pareça, ela me beijou.
Não tive atitude, meu corpo travou, minha boca se fechou e eu fiquei ali. De olhos abertos, vendo ela me beijar. Doce menina. Ficou apavorada e sem ação. Olhou-me com tamanho nervosismo e desprezo, que um calafrio horrendo me subiu pela espinha. Olhava fixamente em meus olhos. Eternos segundos que não passavam. Uma pequena e delicada lágrima correu pelo seu rosto. Representando a dignidade da inocente e frágil jovenzinha . Virou as costas e saiu. Simplesmente saiu. Não deixou nada. Nada...
Com o tempo tudo se esclareceu para mim. A ingrata e insensata busca continuava, e graças a um sopro de lucidez eu sabia que não a amava. Ela, porém, soube na hora em que me viu parado em sua frente, travado como uma estatua de mármore, Fria. Ela era divina, tinha o dom de prever tudo pelo olhar das pessoas. Sabia de tudo, mas se mostrava sempre calma. Tinha noção de que todos nós só aprendemos depois de sofrer. Ela sabia.
Sabia também que entre nós daria tudo errado. Tinha certeza. Mas prometeu a si mesma que um dia ela deveria tentar, pois, poderia estar equivocada.
Escrito por Christofer Silva às 00h50
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* sei la como eu chamaria isso, mas esta ai! nem sei qual a finalidade... mas é sincero...
Não tenho maldade no olhar
Mas o longo receio de estar
Preenche o espaço vazio na idéia alheia.
O objetivo é agir com humildade
Nos quatro cantos da vasta cidade
Que reconheço quando paro e olho
Para o labirinto eterno ou talvez o deserto
Que se encontra dentro de mim.
Escrito por Christofer Silva às 00h43
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Eu assumo. Não posso mudar o mundo. Mas tenho o direito de abrir os olhos das pessoas que estão do meu lado e, portanto, confiam em mim. Seria desprezível da minha parte, ver algum defeito e não comunicar a ninguém. Toda a nossa raiva pode ser especificada em poucas linhas ou embromada em um longo e complexo texto. Raiva. Raiva que corresponde diretamente à indignação e ao desgosto.
Essa raiva a qual me refiro, tem a ver com as pessoas que estão fora do meu alcance, pessoas que estão inertes para o mundo, aceitando tudo e não questionando nada. Sem reação a qualquer estimulo que os abrange. Nada. Nenhuma duvida, sempre dizendo amém e aceitando de cabeça baixa. Porque? Qual a felicidade de ser igual a todos? Pensar igual, agir igual, vestir igual, dançar igual? Porque nunca tentamos buscar o novo? A originalidade? A paz eterna do seu próprio jeito de ser.
Cada vez mais a lavagem cerebral em massa é abrangente. Ninguém esta livre, vivemos de modelos. Moldes que correspondem ao que alguém acima de nós acha melhor. O radio, deveria ser um meio de comunicação livre, mas o maldito jabá leva a todos uma lavagem cerebral involuntária. Eles escolhem o que vai tocar e conseqüentemente o que você gostar de escutar. E ninguém faz nada contra isso. Devemos abrir os olhos do mundo. Dizer que existem coisas mais interessantes do que as que passam na tv e nos meios de comunicação em geral. Grandes personalidades estão no anonimato, e produzem mais que os queridinhos da mídia.
Devo parar por aqui, porque a conversa vai ficando mais objetiva e a citação é inevitável. E como eu correspondo a Davi, melhor cessar a critica construtiva. Torço para que alguém leia esse artigo e reflita sobre o assunto. E não pense que eu falo isso da boca pra fora. Não aceito a submissão imposta pelo tal sistema. Mas não escapo desse mal. Estou aqui em mais um blog, onde milhares de jovens relatam suas vidas fúteis sem objetivo nenhum. Vamos mudar isso. Colhi e separei um grão de areia, da imensa praia que nos rodeia. Paz!
Escrito por Christofer silva às 01h59
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sem muitas palavras bonitas. cansado e angustiado com a vida alheia. o pior é que as dacisões mais esperadas não somos nós quem tomamos. mas sigo em frente. atordoado, mas com as mesmas idéias em mente. atitude sempre!
* segue texto em duas partes* mirabolante inesperado.
Escrito por Christofer silva às 01h15
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Minha vida. Minha.
Acordei desnorteado, não sabia se ia mijar ou vomitar primeiro. A noite passada foi longa, muito vinho e cigarros baratos, acho que é o que esta me matando. Mulheres impulsivas e musica alta.
Justamente quando eu tinha decidido mijar sem vomitar, o telefone começa tocar incessantemente. Corro com dificuldade até aquela invenção que só servia pra incomodar e atendo:
- Quando você vai me pagar o que deve? Hein!? Você acha que eu sou criança? Você tem até amanha. Viu?
Desligou. Levei um baque, já tinha problemas com o aluguel e agora mais essa. Tinha que falar com dona Ivone, a dona do quarto que eu não pagava a dois meses, pus minha melhor roupa e bati no apartamento dela. Abriu com uma cara de felicidade em me ver e me convidou pra entrar, bati os pés no capacho e continuei.
A sala tinha janelas pequenas, por onde entrava muito pouca luz, que deixava o ambiente mais amarelo devido as lâmpadas fracas. Pediu para eu sentar, mas a poltrona estava cheia de pelos de gato. Respirei fundo e sentei. Estava juntando forças para tocar no assunto do aluguel quando ela disse sem menor receio da minha resposta.
-Achei que você nunca ia vim me visitar!
Cruzou as pernas umas três vezes na minha frente. Daí eu senti que a conversa ia ser longa.
Fiz o serviço e sai do recinto. O aluguel já não era mais problema, e transar com aquela gordinha de quarenta anos até que não foi tão ruim. Sai rápido, e fui em direção a barbearia do Thomas. Achei que ele teria algum pra me emprestar.
A barbearia estava vazia, respirei fundo e entrei. Já cheguei falando, mas ele não estava com uma cara muito boa:
-Bah Thomas, eu to numa pior e tu tem que me ajuda!
-Mas eu também to sem nenhum. Você acha que ta fácil? Desde que prenderão o Marcão aqui com aquela sacola de droga, ninguém veio cortar o cabelo e muito menos fazer a barba!
Agradeci e sai. Fui em direção ao buteco do Sandoval pensando em comer um belo sanduíche de mortadela dupla. Enquanto comia pensava na minha vida. Que tristeza. Desde pequeno queria ser esperto, malandro, sempre dando calote e tentando sair dar bem em cima dos outros. Mas eu era um malandro burro, só queria enrolar as pessoa que estavam a minha volta, amigos de infância, parentes e todos que acreditassem em mim.
Depois de um tempo estava fazendo negócios com uns italianos donos de uma pizzaria na zona sul. Conquistei a confiança deles e pedi dinheiro emprestado. No total eram 6 mil que eu devia para eles.
Botei na conta, depois eu acertava com ele. Era só trazer alguma vadia desdentada pra ele comer, que já estávamos quites. Fui para casa. Eu precisava dormir e bolar um plano.
Acordei por volta das 7 horas da noite e a única idéia que tive foi que eu tinha que aproveitar minha ultima noite de vida. Pensei em convidar algum amigo de infância, mas não podia por ninguém nessa cilada. Mas depois eu me lembrei que eu não tinha mais nenhum, eu tinha fodido com a vida de todos.
Escrito por Christofer silva às 01h06
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A noite foi igual a todas as outras, vazias e frias. Sempre a mesma mentira, onde, se conhece alguém, que é muito chata, não tem nada a ver com você e se veste como uma vadia e leva pro motel ou pra casa. Dorme até as 10, depois acorda e vê o erro que cometeu. E assim foi a ultima noite da minha vida.
Acordei menos bêbado do que no dia anterior, comi um resto de pizza que tinha na geladeira e fui para a barbearia. Ao sair do prédio notei o carro do outro lado da rua, um belo opala daqueles que não se encontra mais por ai. Bordô, ou seria vermelho escuro, inteiríssimo. Deveria ser de alguém que estivesse dormindo com a Neide, nunca vi mulher mais gasolina que aquela. Sempre escolhia seus namorados pelo carro. Uma vez ela me disse na cama, depois de terminar o serviço:
-Eu gosto de carro, assim eles me levam pra qualquer lugar!
-Então porque tu deu pra mim?
-Porque eu não tinha o que fazer, mas dei de novo porque tu é bom!
Lembrei daquilo e comecei a rir. Mas segui com passos firmes até o Thomas, pensando em mudar meu visual, roubar um carro e fugir pra longe. Poderia ser aquele opala mesmo. Tenho que mudar de vida e casar pra ver se me endireito.
Cheguei e já sentei na cadeira, pedi para o Thomas cortar bem baixinho e fazer minha barba. Estava tranqüilo sonhando com minha nova vida, eu até estava pensando em depois de juntar dinheiro e voltar para pagar a divida com os italianos. Quando olhei para o espelho ele tinha picotado todo o meu cabelo, mas não me importei por estar calmo e de bem com a vida.
Estava me coçando para pagar o corte quando aquele mesmo carro parou na frente da barbearia. Dois homens desceram e vieram em direção ao recinto. Comentei com Thomas:
-Oh! É só eu vir aqui que o movimento já aumenta!
Eles entraram e perguntaram meu nome, eu respondi e eles disseram que já sabiam. Tiraram as armas para fora e atiraram em nós dois. Sem perdão algum, sem compaixão nem receio. Simplesmente descarregaram suas balas em cima da gente. Cai no chão, mas não estava apavorado, simplesmente olhava o mundo ao meu redor. Vi a cara de desprezo de Thomas por morrer por minha causa, o rosto abismado da dona Ivone voltando do armazém, e vi também a atitude do velho senhor, que morava na esquina, virando as costas para o acontecido, que lhe era natural dos filmes que repetidamente passam na televisão.
( paranóias compiladas a um mês)*representando a zona rural no mundo atual* Rural criu
Escrito por Christofer silva às 00h58
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Nova tentativa de expressão.
Ai vem. Mais um texto do relativo e absurdo mundo cotidiano. Idéias mirabolantes que passam na cabeça e são expostas ao povo. na verdade a quem for curioso o bastante para ler até o final. Enquanto as idéias vierem eu estarei aqui. O desprezo também é uma forma de admiração. pense nisso.
Paulo? Que Paulo?
Sem querer eu a vi. Totalmente fora de alcance, nunca tinha nem conversado com uma mulher daquele estilo. Mas segui em frente, decidido a convencer aquele ser que eu sou um cara que vale a pena. Estava com minha roupa clássica e pronto para o ataque.
Quanto mais eu me aproximava mais ela crescia. Tinha no mínimo 1 e 80. Eu estava duro, mas não ia arregar. A moça estava com uma calça curta - curta em cima e em baixo - mas ela continuava linda. Ela era linda. Morena de cabelos longos e pernas mais longas ainda. Adoro pernas. Adoro cabelos. Adoro mulheres.
Cheguei sem pestanejar e taquei uma pergunta:
- Como vai o Paulo?
- Vai bem. E você como esta?
- Estou levando. Sabe como é? Ta tudo muito difícil, mas estou bem.
Ela fez uma cara de desinteresse e eu não podia deixá-la ir. Convidei pra tomarmos um café. Ela pensou e aceitou. Saímos andando palas ruas do centro e eu enchendo ela de perguntas e comentários. Assim ela não ia perguntar sobre o Paulo e toda a sorte que eu dei em acertar o nome. E eu continuava sem dinheiro.
Menina totalmente fútil. Mas quem se importa. Reclamei da minha ulcera e que não poderia tomar café. Caminhamos por quase uma hora. Ela disse que morava ali por perto e ia me dar um remédio ótimo.
Entramos em um pequeno apartamento. Ela me deu o remédio, eu tomei e parti pra cima dela. Ela se possuiu. Foi bom.
Sorte que o sonífero demorou a fazer efeito. Ainda pude tirar um misero proveito daquela linda mulher.Acordei umas três horas depois, com o interfone tocando. Atendi e fiquei escutando:
- Paulo, tu ta ai?
- Não, o Paulo não ta! Deu uma saída com uma mulher, mas acho que volta logo.
- Ta bom. Mas quando ele chegar fala que o Siqueira tem que fala de homem pra homem com ele.
Desligou e saiu. Eu agarrei minhas coisas e fui embora. Com uma cara de pateta, mas ao mesmo tempo feliz. Sempre aberto a experiências novas. Sentei na praça e fiquei olhando todos ao meu redor. Almas vagando sem vida pela metrópole, seres sem consciência e nenhum resquício de felicidade, perdidos e ao mesmo tempo unidos pelos mesmos sofrimentos.
E eu ali, colado naquele banco. Onde o sol batia mais forte do que em qualquer outro lugar do mundo. Pensativo, imóvel e irreconhecível. Mas sem tirar da cabeça o caso recentemente acontecido. Tentar enrolar alguém mais esperto que você. Caso repentino onde, Por sorte, ninguém ganhou nem perdeu.
(escrito por mim hj a tarde)*palavras unidas de uma maneira torta. mas a mensagem é o q importa*
Escrito por Christofer silva às 00h40
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Solidão relativa
O desprezo da sociedade esta em tudo que não se vê e em muito do que fica em baixo do nosso nariz. As principais campanhas políticas deveriam ser feitas nas padarias pela manha e nos bares à noite, onde se discutem os verdadeiros assuntos referentes ao caos da vida humana e suas necessidades supérfluas.
Estar em uma super crise de identidade é deprimente. Não saber o que é e nem pra que veio, com a sua auto-estima (que sempre foi gigantesca e nunca antes abalada) em frangalhos e sofrendo nas mãos de um amor louco. Amor que é pura falta de carinho e companhia.
Acordei e estava ao lado dela, linda como sempre, mas sem algo de muito especial para me dar. Eu particularmente tinha uma tese, que na verdade eram duas. A primeira era que se você acordar ao lado de alguém e achar essa pessoa linda ao amanhecer está apaixonado. E a outra era que namoro que ultrapassa verão, dura para vida inteira. Eu nunca levei isso a sério, mas acreditava. Ela tinha personalidade forte e sempre contestava tudo que eu opinava. Sempre achei que era só por birra ou encheção de saco, mas eu ficava quieto porque se eu retrucasse poderia ser pior.
Fiquei me revirando na cama, sem me preocupar com as horas, mas pensando no tempo em que vivia naquela ilusão.
Ela tinha um ar de mulher moderna, queria ser jornalista, mudar o mundo, ajudar os menos favorecidos e o mais importante de tudo: atacar incessantemente o sistema. Gostava do surrealismo do cinema e da nova escola européia. Lia tudo dos novos autores e mandava a merda os clássicos. Mas sempre nos acertamos na cama. E eu sentia que não amava aquela mulher.
Levantei e fui tomar café na padaria, depois traria alguma porcaria pra ela comer. Pedi o de sempre e me sentei no canto, e me detive a observar quem entrava. Na fila todos se conheciam e falavam das ultimas noticias, mortes, assaltos, algumas fofocas entre as mulheres e por ultimo o assunto mais comentado, o tal modernismo e o sistema. Vi que minha mulher não era diferente das outras. Voltei para casa com o pacote.
Ela estava de bom humor e já veio me abraçar e pegar seu café da manha. Ela era bonita e inteligente demais pra mim. Eu estava me enganando.
-Vou a uma exposição de arte com um grupo de amigos, ta afim?
-Não obrigado. Você sabe que eu não sirvo pra essas coisas.
-Mas vai ser legal!
-Aquele monte de riscos e eu não entendo nada. Sei lá como vocês conseguem gostar daquilo.
Disse tchau e foi. E eu fiquei ali, com aquela roupa surrada, sentado naquela poltrona mais surrada ainda e convivendo com aquelas paredes frias de uma sala escura. Tomei o resto da garrafa de uísque. Aquilo me fez bem, relaxei um pouco e parei de pensar na vida. A chuva começou a cair e eu peguei no sono.
Já estava anoitecendo quando acordei. Por incrível que pareça eu estava bem. Nada de vomito e nem ressaca. Mas sentia falta de alguma coisa. Conversar com as pessoas do mesmo nível que eu. E que gostassem dos clássicos.
Precisava de tempo livre. Fugir dessa monotonia de casal. Mas a vida é assim, umas vem outras vão e a vida continua. Peguei papel, caneta e escrevi um bilhete a altura de tudo o que aconteceu entre nós. Todos os momentos felizes e inesquecíveis. É sempre assim quando você acha que esta tudo bem as coisas simplesmente somem. Tomam um rumo insano em fração de segundos. Um dia alguém puxa seu tapete, isso é inevitável.
Arrumei minhas coisas, peguei minhas tralhas, deixei o dinheiro do aluguel e sai. Sai em busca de uma vida completa, alguém que me preenchesse do jeito que eu precisava. Sem tirar nem pôr. Mas se eu ficar parado em casa dificilmente vão bater na minha porta, conversando sobre a vida e os seus defeitos. Oferecendo amor eterno e uma vida livre. Nunca ia ser tão fácil.
Sai. Em busca de uma vida nova. Na verdade, a vida que eu levava antes, mas agora, com uma nova pessoa ao meu lado. Tomei automaticamente o rumo do bar. Onde todos os velhos amigos ainda se encontravam, para falar do mesmo jeito que a vinte anos atrás, sobre as noticias da atualidade.
Entrei e me sentei. No velho e aconchegante canto, obscuro, deprimente, inspirador e ao mesmo tempo o mais notável lugar daquele bar. Fiquei observando a todos, mudaram as pessoas, mas as personalidades eram as mesmas. Todos perdidos, arrependidos, magoados e de mal com o mundo. Eu fazia parte dessas pessoas. Dessa matilha de cães famintos por vidas mais dignas, sem sofrimento e solidão. Solidão que no meu caso, era diretamente ligada ao desprezo de se auto-enganar. Forçar a vida a dois. Jogar com a vida alheia.
Eu preciso mudar. Tenho que dar valor a quem me da atenção. Estou decidido a mudar.
A porta se abriu e reconheci meus velhos amigos. Todos barbudos e acabados. Pedi mais uma dose e chamei-os para minha mesa. Sabia que aquela noite ia ser longa. Notei a presença de uma moça, jovem e interessada no nosso conhecimento. Falamos normalmente sobre a vida e os problemas da humanidade. Os políticos e a nova literatura mundial. Ela só direcionava suas perguntas a mim. Eu preciso mudar. Eu tenho. Mas quem sabe amanha?
(Escrito por mim em 21/5/05) *tudo tem um inicio*
Escrito por Christofer silva às 01h34
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O inicio
Tomando coragem e iniciando uma nova fase. Falar o que se pensa é fundamental. Cuspir idéias sem atingir a ninguém. Sem o interesse de mudar o mundo, apenas de saco cheio do silêncio. Lutando contra a falta de atitude e a massificação do modo de ser. Pense como quiser, aceite o que puder. Essa é a meta!
Escrito por Christofer silva às 01h29
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